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O Campeonato Brasileiro está ficando mais injusto? (UPDATE FINAL)

Introdução

Como o Campeonato Brasileiro terminou oficialmente neste domingo com o Flamengo campeão e com todas as rodadas encerradas, vamos novamente realizar a mesma pergunta que inicei no meu post que indaga: “O Campeonato Brasileiro está ficando mais injusto?

Mais uma vez fui na Wikipedia, e atualizei os dados já incluindo o ano de 2019.

A desigualdade estrutural no Campeonato Brasileiro é uma tendência?

Na primeira análise feita aqui no blog eu cheguei a conclusão de que Sim. Com o uso do Coeficiente de Gini como métrica para mensurar se há uma desigualdade estrutural mostrou que existem sim elementos latentes dessa desigualdade.

Dado a campanha excepcional do Flamengo que não só bateu o recorde de números de pontos em uma única edição, como também se considerarmos apenas os jogos fora de casa o Flamengo ainda sim não seria rebaixado (37 jogos – 11v 4e 4d) (Fonte: Tiago Vinhoza).

Mas como estamos falando aqui da variância da distribuição dos pontos dentro desta edição Brasileirão um fato colocado pelo @Impedimento foi que esta edição teve a Menor pontuação efetivamente conquistada por um time que se salvou: 39 (Ceará) sendo que eram necessários apenas 37 para se salvar. Ou como disse o Tiago Vinhoza, uma estratégia só de empates em todos os jogos já seria suficiente para se salvar.

Sem mais demora, vamos rodar os mesmos scripts agora com os dados atualizados.

Ranking de desigualdade entre todas as edições do Brasileirão usando o Coeficiente de Gini

Diferentemente da nossa última análise em que a edição de 2018 (Palmeiras campeão) era a mais desigual até então, essa edição com o Flamengo Campeão teve um aumento de 17% ((1 – (0.1449/0.1746)) x 100) na desigualdade em relação ao número de pontos em 2018, o que mostra que a tendência dessa desigualdade veio pra ficar.

Assim como fizemos anteriormente, vamos olhar com calma essa edição de 2019 para verificar alguns fatos interessantes:

Aos moldes da nossa última análise, vamos ver alguns pontos da tabela final:

  • O Flamengo finalmente furou a impressionante barreira dos 90 pontos em campeonato de 20 times; o que é para efeitos de comparação é o mesmo número de pontos que o Real Madrid e/ou Barcelona fazem em temporadas avassaladoras no Campeonato Espanhol o que indica que houve uma disparidade muito grande dentro de campo;
  • Como já colocado acima, uma estratégia de apenas empates (38 pontos) já seria o suficiente para sair do rebaixamento;
  • O Avaí foi o saco de pancadas desse brasileirão em que cedeu 72 pontos (24 * 3) ao longo da tabela para inúmeros times, e perdeu 22 pontos em empates (ou tirou de outros times). Alem disso tivemos além do Avaí mais 4 times com mais de 20 derrotas (Botafogo, CSA, e Chapecoense) o que possivelmente pode ter contribuído para essa desigualdade de pontos.
  • Tivemos na verdade 4 Campeonatos: Campeonato 1 que eu chamaria de “Passeio Flamenguista”; Campeonato 2 que seria “Briga pelo Vice estrelando Santos e Palmeiras”; e Campeonato 3 “Vagas na Libertadores e Sulamericana”; e o último campeonato (4) que seria “Quem vai ser rebaixado com o CSA, Chape e Avaí?”; e
  • Entre o 7o Colocado (Internacional) até o penúltimo colocado (Chapecoense) a maior diferença de pontos foram de 4 pontos.

Em linhas gerais o que podemos ver é que tivemos alguns blocos de times com um determinado número de pontos, mas o grosso de todos os pontos foram para os times de cima, em especial o Campeão e os dois vice campeões.

Vamos agora olhar a evolução dessa desigualdade ao longo do tempo, e comparar com as edições anteriores.

Na minha última análise eu tinha feito a seguinte consideração:

Algo surpreendente é que os vales costumam acontecer nos anos ímpares e os picos nos anos pares. Isso talvez seja explicado por algum efeito externo, tal como as Olimpíadas e Copa do Mundo que ocorrem em anos pares. E uma hipótese bem fraca, mas ainda sim é uma hipótese.

Ou seja: O Brasileirão desse ano não somente mostrou que essa era uma hipótese que não faz mais sentido, como mostra agora que é um outlier dentro de todas as edições de pontos corridos, em termos de desigualdade dos times.

Para suavizar um pouco esse efeito, vamos considerar aos moldes do post anterior apenas uma média móvel considerando um recuo de 3 anos.

Olhando com mais calma, podemos até mesmo pensar na hipótese de que Não foi o ano de 2019 que foi um outlier, mas os anos de 2017 e 2009 que são os verdadeiros outliers em relação à desigualdade.

Aos moldes do post anterior, vamos remover o campeão e o pior time de todas as temporadas e recalcular novamente.

Mesmo removendo o Avaí (pior time) e o Campeão (Flamengo) ainda sim o campeonato de 2019 continua o mais desigual de todos os tempos.

Vamos gerar o gráfico apenas para verificar se a tendência do aumento da desigualdade permanece ou não.

Olhando o Coeficiente de Gini removendo o campeão e o pior time, podemos ver que ainda temos a tendência de aumento da desigualdade dentro da liga.

Considerações finais

Se tivermos que responder a nossa pergunta principal que foi “O brasileirão está ficando mais injusto ao longo do tempo?” a resposta seria:

“Sim. Existe uma esigualdade estrutural no Campeonato Brasileiro com uma tendência de alta, sendo que a edição de 2019 foi a mais desigual de todas.”.

Aqui eu vou tomar a liberdade de realizar algumas considerações em relação ao que eu penso que pode estar acontecendo no Campeonato:

Por inspiração de uma interação que eu tive no Twitter com Tiago Vinhoza – @tiagotvv eu vou coletar os dados das ligas européias desde a década de 90 e analisar se essa desigualdade acontece nas outras ligas do mundo e comparar com a liga Brasileira.

Como sempre os dados e o código estão no GitHub.

Inequality in the Premier League – Çınar Baymul

An Analysis Of Parity Levels In Soccer – Harvard Sports

Which Sports League has the Most Parity? – Harvard Sports

Major League Soccer and the Effect of Egalitarianism – Harvard Sports

The Gini Coefficient as a Measure of League Competitiveness and Title Uncertainty – Australia Sports Betting

Mourão, P. R., & Teixeira, J. S. (2015). Gini playing soccer. Applied Economics, 47(49), 5229-5246

How “fair” are European soccer leagues? Gini index applied to points distribution of 5 soccer leagues between 2000 and 2015 – r/soccer

Footballomics: Estimating League Disparity Performance with a Point-Rank Gini Index – Christoforos Nikolaou

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